A ILUSÃO DA SUPERIORIDADE PELA OPINIÃO


Em diversos círculos sociais da Guiné-Bissau, tem-se vindo a observar um fenómeno inquietante, jovens que ao emitirem opiniões, acreditam automaticamente ser mais inteligentes e superiores àqueles que optam pelo silêncio ou pela escuta. Esta postura, cada vez mais visível nas redes sociais e em debates públicos, transforma o diálogo num palco de vaidades em vez de num espaço de construção de ideias.


O problema não reside em opinar, é legítimo e saudável que a juventude se manifeste. O perigo surge quando a opinião se converte em instrumento de arrogância. Muitos jovens confundem o acto de falar com o de saber, esquecendo que o silêncio pode ser sinal de maturidade e de reflexão. Quem escuta não é inferior; muitas vezes, está a reunir argumentos mais consistentes do que aqueles que falam incessantemente.


Mais grave ainda é a crescente prática de lançar convites vazios, sob a aparência de diálogo, mas cujo verdadeiro objectivo é desafiar quem pensa de forma diferente e inflar o próprio ego. Nos últimos dias, chegou a circular a notícia de um jovem que lançou um “convite” a outros, alegando pretender um debate, quando na realidade apenas procurava confrontar e humilhar os que não partilhavam das suas ideias. Longe de ser um exercício de cidadania, tais iniciativas revelam insegurança e sede de protagonismo.


Num país onde os desafios sociais e políticos exigem reflexão séria, o barulho vazio nada acrescenta. A Guiné-Bissau precisa de jovens que falem menos por vaidade e mais por responsabilidade; que saibam escutar, ponderar e propor soluções concretas. A verdadeira superioridade não está em levantar a voz, mas em contribuir com ideias úteis ao bem comum.


A juventude guineense tem, sem dúvida, a força necessária para transformar o país, mas só o conseguirá se trocar a arrogância da opinião pela humildade da acção.


Por: Umaro Embalo _ MESTRE EM CONTABILIDADE E FINANÇAS?

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